22/01/2014

EXPLICANDO A VIOLÊNCIA em Porto Seguro.

Foto e montagem do autor.


Porto Seguro está sendo apontada como a segunda cidade mais violenta da Bahia. E uma das mais violentas do Brasil, devido a grande mortandade que tem atingido parte dos jovens da região. Nestes últimos tempos não tem um dia que não morre pelo menos uma pessoa nesta cidade. O perfil é sempre o mesmo. Jovens que, suspeitos  de estarem envolvidos com Drogas Ilícitas, morrem baleados, sempre dentro de um padrão. Alguém se aproxima, faz alguma pergunta e dispara vários tiros, quase à queima roupa. E isso em plena luz do dia, ou em ruas movimentadas.

Outro padrão é que nunca são encontradas testemunhas dos fatos. Mesmo com a parca investigação, por não existirem agentes suficientes no município, as perguntas são sempre respondidas com o indefectível “não sei, não vi, fiquei sabendo...”

Mas nas rodinhas que se formam longe da polícia, ou de estranhos, sempre tem aquele que conhece o cadáver, ou sabe que tipo de envolvimento o mesmo tinha, ou teve.
O morto de hoje, baleado dentro de seu automóvel, era um taxista “alternativo”, que teria abandonado o trabalho com o tráfico, para se dedicar a uma vida mais digna. Abaixo, um comentário feito numa página de Internet, mostra a realidade cruel de quem trabalhou com esse ramo que não para de crescer em nosso pais.

"Anônimo Em 22 de janeiro de 2014 08:14
Como a vida é engraçada , quando ele mexia com drogas ERA TRAFICANTE do campinho não aconteceu com ele...Dai a pessoa tentar ser um trabalhador honesto para sustentar sua família e acontece isso.
Tudo bem que era traficante , mais se arrependeu e queria trabalhar com dignidade."

Pois, se isso não justifica, pelo menos explica parte do problema da atual violência. Não é segredo que o mercado das drogas ilícitas é muito grande em Porto Seguro. As pessoas, principalmente os mais jovens vem em bando “curtir” o verão e as férias em nossas praias. E, como a Cerveja não é mais suficiente para alegrar a moçada, complementam o “combustível” para animar as festas e as baladas com esses produtos “alternativos” e pra lá de lucrativos.

Se alguém usa, alguém deve produzir. E alguém deve transportar, distribuir em quantidades menores, até que alguém leve o produto até o consumidor. Nessa cadeia de comércio alguém sempre não dará conta do recado, ou tentará dar um “guidinau” pra ganhar mais dinheiro. Ou outros problemas que possam ocorrer, pois o mercado aquecido cria olho grande nos concorrentes e...

Bem, ai já é imaginação da minha parte. Possa ser efeito de ver os filmes “educativos” que são mostrados em horários convencionais das Redes de TV.

O fato é que os mortos acabam sendo os mesmos garotos que, proibidos de trabalhar legalmente pela constituição chamada apropriadamente de ECA, ingressam nessa “FIRMA”, cuja finalidade é atender que apenas deseja curtir umas horinhas numa boa.

Tá explicado? Acho que não. Se isso fosse claro, alguém já teria interrompido essa sangria que não para de crescer.